O que é o ruído?

Fisicamente não existe qualquer diferença entre o som e o ruído. O som é uma percepção sensorial e o ruído é visto como sendo um som indesejado.
O ruído está normalmente presente em todas as actividades humanas. Quando se avalia o impacto do ruído que ocorre durante o trabalho no bem-estar e saúde dos trabalhadores, o ruído é normalmente designado por ruído laboral ou ruído ocupacional.
O som pode ser explicado por variações em maior o menor grau da pressão do ar, que provocam uma reposta sensitiva no sistema auditivo. Tal como o efeito dominó uma onda em movimento é colocada em movimento a partir do movimento de um elemento físico (fonte sonora). Este movimento gradualmente espalha-se às partículas de ar adjacentes, cada vez mais longe da fonte sonora.
Dependendo do meio de propagação, o som pode-se propagar a velocidades diferentes. No ar, o som propaga-se a uma velocidade aproximada de 340 m/s. Em líquidos e sólidos a velocidade de propagação é maior (1500m/s na água e 5000 m/s no aço por exemplo).
Uma variação de pressão sonora de 20 µPa corresponde ao valor médio do limiar de audição humana. Por outro lado uma variação de 100Pa é suficientemente grande para causar dor. É por isso chamado de limiar da dor. O rácio entre estes dois valores, representativos das extremidades da gama auditiva média do ser humano, é superior a 1 milhão para um.
Com este rácio que resulta da comparação entre o limiar de audição e o limiar da dor, a medição da pressão sonora resulta na manipulação de números demasiado diferentes e grandes. Por outro lado o ouvido humano responde de forma logarítmica e não de forma linear aos estímulos. Quer isto dizer que um estímulo sonoro com o dobro da pressão sonora que outro, não produz o dobro do efeito no ouvido humano.
Desse modo é mais prático expressar os parâmetros acústicos como sendo um rácio logarítmico entre um valor de pressão sonora medida e um valor de pressão sonora de referência (limiar da audição). Este rácio logarítimico é denominado por decibel ou dB. A vantagem da utilização da escala em dB pode ser verificada na imagem em baixo. Aí uma escala linear com uma grande distância entre os seus valores extremos [20 mPA a 100.000.000 mPa] transforma-se numa escala de valores tratáveis e facilmente relacionáveis entre si.
O cuidado a ter na utilização desta escala é não cair no engano que uma pequena diferença de dB significa também uma pequena diferença de energia sonora efectiva, ou ruído. Uma diferença de apenas 3dB significa o dobro ou metade da energia sonora.

Tenho um problema de ruído no meu local de trabalho?
Isso dependerá de quão elevado é o nível de ruído e do tempo de exposição ao mesmo. A título exemplificativo aqui ficam algumas situações que poderão significar a necessidade de uma intervenção no seu local de trabalho, no que diz respeito ao ruído:
• Está sujeito a um ruído intrusivo, como uma rua movimentada ou um aspirador, durante a maior parte do dia?
• Tem que “levantar” a voz para conseguir manter uma conversa normal com outra pessoa, quando se encontram a aproximadamente 2 metros de distância, durante parte do dia?
• Trabalha numa indústria ruidosa tal como: construção, demolição ou reparação de vias; serração; processamento de plástico; manufactura têxtil; produção de papel ou cartão; fundição; entre outras?
• Está exposto a ruídos resultantes de impactos (martelar, forjar, ferramentas pneumáticas) ou explosivos (detonadores, armas de fogo, etc)?
Porque deverá a entidade empregadora gastar recursos financeiros na redução do ruído, especialmente tendo em conta que se tratam apenas de alguns decibéis?
O Decreto-Lei n.º 182/2006 de 6 de Setembro que transpõe para o direito nacional a Directiva n.º 2003/10/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 6 de Fevereiro impõe a redução da exposição ao ruído excessivo. A redução dos níveis de ruído na fonte é a melhor forma de proteger quer a audição dos trabalhadores quer as empresas. A existência de ruído causa stress, põe em causa a segurança no local de trabalho, interfere na comunicação e distrai os colaboradores, tornando os avisos sonoros mais difíceis de ouvir.
Devido ao facto de o ruído ser medido em escala logarítmica, uma redução no nível de ruído de 3 dB, que parece ser pequena, é na realidade o equivalente a uma redução para metade da intensidade sonora do ruído.
Isto significa que um determinado colaborador pode trabalhar o dobro do tempo a um nível de ruído reduzido e ter a mesma exposição diária que anteriormente.
Efeitos do ruído na saúde
A exposição frequente e prolongada a ruídos intensos provoca alteração na audição, podendo no limite provocar a surdez. No entanto existem outras consequências desta exposição, cujos efeitos ocorrem a médio, longo prazo, nomeadamente perturbações psicológicas ou fisiológicas associadas a reacções de stress e cansaço. O ruído provoca perturbações do sono, na capacidade de concentração e de memorização, irritabilidade, mau humor, perturbações do aparelho digestivo, hipertensão arterial e também interfere com a comunicação, com a produtividade e qualidade da produção, entre outros.
O ruído é uma questão de saúde pública. O controlo e diminuição do ruído requerem o empenho e a colaboração de todos.
Pequenos gestos que fazem a diferença:
> Evite buzinar! Faça-o apenas em caso de manifesta necessidade
> No automóvel coloque o som do rádio de forma a não aumentar o seu cansaço auditivo e a melhorar o ruído ambiente.
> Limite a utilização de electrodomésticos e outros equipamentos ruidosos durante a noite e madrugada e no início da manhã nos fins-de-semana
> Utilize a aparelhagem em tom baixo ou moderado, contribuindo também para a sua saúde auditiva